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Esportes, Notícias Visto 87 vezes

POLÊMICO – Renato Gaúcho diz em entrevista sobre Cristiano Ronaldo, Ele é um dos melhores do mundo, mas eu joguei mais, VEJA ENTREVISTA FALANDO DE TUDO

Renato Gaúcho, 54, vive com uma certeza. Está convencido de que não tem o que aprender fora do Brasil.

Em entrevista à Folha, o treinador que comanda o Grêmio nesta quarta (23) no primeiro jogo da final da Copa do Brasil contra o Atlético-MG, às 21h45, no Mineirão (com Globo, SporTV, ESPN Brasil e Fox Sports), defendeu os colegas brasileiros das críticas de serem piores que os europeus e duvidou que Guardiola, do Manchester City, e José Mourinho, do United, teriam sucesso por aqui.

RENATO GAÚCHO
Treinador recebeu a Folha para falar sobre o futebol brasileiro, técnicos e Grêmio
O treinador Renato Gaúcho

“Não vou aprender nada lá fora do que já sei porque não vejo nenhum time jogar diferente. Concordo que o Guardiola e o Mourinho estão entre os melhores, mas queria que trabalhassem aqui com o nosso calendário, com os salários atrasados”, disse.

O gremista alfineta os técnicos que vão à Europa em busca de qualificação e voltam rapidamente ao Brasil.

“Técnico falar que foi para a Europa [se aperfeiçoar] e voltar dez dias depois, com foto de jogador importante, é a maior piada do planeta.”

Campeão como jogador no clube gaúcho, comentou sobre a possibilidade de conquistar um título nacional que o Grêmio não vence há quinze anos.

“Não sei se tem como ser mais amado do que já sou”.

Folha – Pela sua história no Grêmio, o título da Copa do Brasil seria especial?
Renato Gaúcho – Seria fantástico, já que seria o primeiro na Arena. Título não tem preço, mas para mim seria fundamental. Eu ganhei quase tudo pelo Grêmio como jogador e agora posso ganhar como treinador um título nacional que o clube não conquista há 15 anos. Eu seria ainda mais amado pela torcida, apesar de não saber se tem como ser mais.

Voltei para o Grêmio sem tempo para treinar. Pegamos o Atlético-PR, que tem o Autuori, que é um p… de um treinador. Na sequência, pegamos o Cuca, que acho um dos melhores do Brasil, se não for o melhor. Logo depois, pegamos o Cruzeiro, que é dirigido pelo Mano Menezes, que já foi da seleção brasileira, e eliminamos todos. Aí eu te pergunto. Não tenho mérito na história? Fiquei quase dois anos parado e consegui isso.

Como foi a decisão com a diretoria de abrir mão do Brasileiro e focar a Copa do Brasil?
Não é que deixamos de lado o Brasileiro. Em alguns jogos estou escalando um time alternativo, poupando o time principal porque a Copa do Brasil é o nosso grande objetivo. O que não pode é em final de temporada você querer jogar a cada três dias, jogar as duas competições com o mesmo time porque vai perder jogadores importantes. Daqui a pouco não tenho jogadores nem para o Brasileiro e nem para a Copa do Brasil.

É um problema porque, se você põe para jogar, corre o risco de perder o jogador, e, se não põe, perde o ritmo de jogo. É uma decisão difícil de ser tomada, mas alguém tem que tomar essas decisões. Ainda podemos chegar à Libertadores pelo Brasileiro [atualmente ocupa o oitavo lugar] e até pela Copa do Brasil. Por outro lado, podemos não chegar em nenhuma.

Qual a importância do Douglas para o Grêmio? Por que ele rende muito com você?
Porque ele aprende muito comigo [sorri]. O Douglas é um jogador diferenciado, que pensa, que faz o time jogar. Se tenho um jogador assim, não posso colocá-lo para correr atrás do adversário. Tenho que tirar o melhor do craque, que é fazer o time jogar, decidir os jogos, deixando os companheiros na cara do gol.

Como você vê o comportamento dos jogadores de hoje?
Fazem falta jogadores como Romário, Neto, Edmundo, Casagrande. Esse tipo de jogador o torcedor gostava de ver. Tinha aquela provocação no bom sentido para lotar o estádio e no outro dia os torcedores tiravam sarro.

Eu sei lidar com o meu grupo. Joguei por 19 anos e sei como o jogador gosta de ser tratado. Aí você pode pensar que sou amigo do jogador, mas eu não sou. Sou amigo na hora que tem que ser. Eles são pagos para treinar e para jogar. Eu sou pago para dar o treino, cuidar da parte técnica, tática e colocar eles para jogar. São poucos os treinadores que sabem tratar o jogador como eu.

Hoje os jogadores são muito individualistas?
O que arrebenta o jogador hoje em dia é isso daqui [pega o celular]. O jogador de futebol sai do treino, vai para a concentração, vai para casa e já pega o celular. Eu até brinco que eles vão querer entrar em campo com o celular. Eles não largam isso aqui [celular]. Tem horas que proíbo, mas é mundial.

Muitos técnicos brasileiros têm ido para a Europa se aprimorar. Como você vê isso?
Se um técnico falar que foi para a Europa, fez um curso e voltou dez dias depois, com foto de algum jogador importante, é a maior piada do planeta. É a mesma coisa que uma pessoa começar a cursar medicina e uma semana depois dizer que ganhou o registro do CRM (Conselho Regional de Medicina). Não tem muito o que aprender lá fora [Europa]. Se você não passar dois, três meses lá, você não aprende nada. Não vou aprender nada lá do que já sei porque não vejo nenhum time jogar diferente. O time pode ser até fenomenal, mas montou seleção. Com uma seleção, os jogadores jogam sozinhos. É só dar a camisa.

O técnico brasileiro está defasado em relação ao europeu?
O Tite é o melhor do mundo. O Mourinho e o Guardiola estão entre os melhores, mas também trabalham com o que pedem, montam uma seleção. Já o brasileiro trabalha com o que tem. Quando aparece um bom, já é vendido.

Quais as dificuldades que o Guardiola e o Mourinho passaram para montar time? Eu queria que esses técnicos viessem treinar nossos times aqui com o nosso calendário, com os salários atrasados. Quero ver eles na dificuldade.

Agora, o Guardiola e o Mourinho, que são considerados os dois melhores, quais as dificuldades que passaram? Qual foi o time médio que eles pegaram? Qual foi o time que chegou para eles e falou é isso aqui o que você tem para trabalhar? É muito fácil eu chegar em um clube da Europa e falar toma essa listinha de dez jogadores aqui e o clube contratar. É muito fácil trabalhar assim. É muito fácil trabalhar com os melhores do mundo. Você monta o time do jeito que você quer.

Eu quero ver ser o melhor do mundo na dificuldade. Ser campeão com o que você tem. Aí formando uma seleção é mole ser campeão.

Se eu fosse convidado para treinar um time da Europa, eu não iria. Estou muito bem aqui no Brasil.

Como você vê hoje o trabalho de análise de desempenho nos clubes e as inovações de recuperação e tratamento dos jogadores?
O scout ajuda muito o nosso trabalho no dia a dia. Temos uma sala enorme com esses dados. Eu até brinco com os meus jogadores no vestiário quando estão recebendo o tratamento do fisioterapeuta. Hoje, é calor, várias coisas para os jogadores se recuperarem. Na minha época, colocavam gelo direto na perna. Se tivesse isso no meu tempo, estaria jogando até hoje.

Você vê algum craque no futebol brasileiro?
Ele não são craques, mas acho que Gabriel Jesus e Lucas Lima vão estourar. No momento, esses dois jogadores têm tudo para seguir o caminho do Neymar. Lógico que cada um na sua posição.

Lucas Uebel/Divulgação/Grêmio
Renato Gaúcho orienta os jogadores do Grêmio em jogo do Brasileiro-2013
Renato Gaúcho orienta os jogadores do Grêmio em jogo do Brasileiro-2013

Felipão comparou o estilo de jogo do Cristiano Ronaldo com o seu. Você concorda? Quem teve mais sucesso com as mulheres, ele ou você?
Ele é um dos melhores do mundo, mas eu joguei mais. Queria vê-lo jogar na minha época aqui com quatro, cinco meses de salários atrasados, gramados esburacados, Libertadores sem exame antidoping e sem os melhores do mundo do meu lado. Jogar lá na Espanha, ganhar o que ele ganha, jogar uma vez por semana, aí eu queria ver onde eu chegaria.

Cada um faz sucesso [com as mulheres] dentro das suas possibilidades. Cada um na sua época.

Em 2011, você disse que dava dicas aos jogadores com mulheres? Como é a conversa?
O que eu falo é para eles pararem e pensarem dez mil vezes para quem vão abrir a porta e levar para dentro da casa e com quem vão casar. Não pode ser a primeira, não pode conhecer numa semana e querer casar. Falo para eles passarem o trator, mas para olharem bem quem será a mãe do filho deles. É isso que falo. Eu dou conselho bom, mas se eles vão seguir é um problema deles.

Não adianta você proibir o jogador de futebol que ele vai querer sair na noite, vai querer transar com as mulheres. Isso é dele, é do jogador. Todos falam do jogador, mas eles têm que fazer na hora da folga o que tiverem vontade. Todos têm direito.

Tenho que liberar o cara para sair, ir para a boate, tomar um chopp no dia de folga. Na hora de folga, ele é um profissional como qualquer outro. Se não for assim, tem que pegar o jogador e levar para o presídio e trancar. Aí no outro dia, você abre a cela e leva ele para o treino. Não tem um treinador que vai conseguir segurar os jogadores.

Você foi cortado de uma Copa do Mundo quando estava no auge em razão de um ato de indisciplina. Se arrepende? Ficou uma mágoa com o Telê, falou com ele sobre o episódio depois?
Eu fiz as pazes com ele após quase dez anos. Eu era jogador do Fluminense em um jogo contra o São Paulo no Morumbi. Acho que ele foi muito enérgico, foi coronel porque faltava muito tempo para a Copa do Mundo. Eu errei sim, mas não me arrependo. Eu fui cuidar de um amigo meu. Estávamos em 10, 12 jogadores, eles foram embora, mas eu não ia largar o cara naquela condição. Eu até implorei para os jogadores arrastarem o cara para a concentração, mas eles foram embora. Eles não pensaram que ia ser dessa proporção [o corte]. E eu não ia deixar meu amigo lá. Eu teria que ser punido sim, mas não com corte.

Se hoje um jogador meu faz isso, apronta, eu não vou cortar o jogador de uma Copa do Mundo porque, em primeiro lugar, estarei me prejudicando e prejudicando o meu país. Na época, eu era o cara mais novo da seleção, era o titular absoluto e tinha sido o melhor jogador das eliminatórias e faltava muito tempo para a Copa do Mundo. Eu acho que ele pegou muito pesado. Eu acho que ele tinha muitas outras maneiras de me punir, mas não o corte. Ele tirou um sonho meu de disputar a Copa do Mundo e eu estava voando.

Quando ele cortou a primeira vez os jogadores fizeram uma reunião. O Sócrates, o Zico, o Falcão. Eles foram em cima para que não houvesse o corte. Aí ele [Telê Santana] recuou. Mas aí eu sabia que na primeira folga ele cortaria. Tínhamos uma folga a cada 30 dias. E isso aconteceu.

Se arrepende de algo na carreira? Poderia ter tido uma carreira maior na Europa, ganhado mais dinheiro?
Talvez eu ficaria na Roma. Na época, tinha três anos de contrato, mas voltei para o Flamengo. Tinha 24 anos e deu saudade do Brasil. Talvez, hoje ficaria mais tempo, uns três, quatro anos lá fora. Mas não me arrependo. Voltei para o Flamengo e voltei ganhando bem, mas eu poderia jogar mais na Europa.

Entre ver o jogo do Barcelona ou do Bayern na TV no domingo ou jogar futevôlei no Rio, o que você prefere?
Eu vou conseguir fazer as duas coisas como vinha fazendo quando não estava trabalhando. Eu me divertia e via todos os jogos. Fiquei dois anos parado. Eu podia ter voltado. Tive propostas. Não foram muitas, mas também não foram poucas. Eu não queria entrar em furada.

Quando cheguei no Grêmio em 2010 levei uma porrada de jogador da segunda divisão e muita gente questionou. Os jogadores ajudaram o Grêmio e muito. Cito até o Paulão, que até outro dia era capitão do Internacional. Fiz o Grêmio comprar ele por um x e veja por quantos x ele foi vendido lá para fora. Qualquer jogador da segunda divisão eu conheço. Se eu ficar no Grêmio, alguns jogadores da segunda divisão vão aparecer no Grêmio.

Lucas Uebel/Grêmio FBPA/Divulgação
Carol Portaluppi comemora dentro de campo com seu pai, Renato Gaúcho, a vitória do Grêmio
Carolina Portaluppi comemora dentro de campo com seu pai, Renato Gaúcho, a vitória do Grêmio

Fontre – Flavio Florido – Folhapress


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