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Briga de deputados quase interrompe debate sobre impeachment.

Deputados contrários e favoráveis ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff trocaram insultos e empurrões no plenário da Câmara dos Deputados por volta da 0h45. A discussão acalorada aconteceu depois que o deputado Vítor Valim (PMDB-CE), da tribuna da Casa, chamou os petistas de “bandidos”. Inconformado, o petista Sibá Machado (AC) foi tirar satisfação.

“Ele chamou a gente de bandido. Eu fui lá falar com ele, que estava olhando para o outro lado. Então, peguei no braço dele para ele olhar para mim, e ele disse que eu o agredi”, contou Sibá à Agência Brasil. “Disse a ele: ‘Se você estiver aqui na hora em que eu for falar, eu vou lhe dar um pau. Vou devolver o que você disse’”, acrescentou o petista explicando que rebateria as ofensas de forma verbal. “Não vou brigar. Não brigo com ninguém”.

Valim contou que Sibá foi ao seu encontro e o agrediu. “Fiz meu discurso e, quando estava saindo, o Sibá veio ao meu encontro, bateu no meu peito, dizendo que, se eu ficasse no plenário, ele ia acabar comigo. É inadmissível, no Parlamento, quem discorda de ideia vir para o contato físico. Eu reagi à altura”, argumetou o peemedebista.

A confusão não chegou a interromper a sessão destinada às falas individuais dos deputados que se inscreveram para debater o parecer do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), favorável à admissibilidade da denúncia contra Dilma.

Após quase 43 horas, sessão do impeachment é a mais longa em 25 anos

A discussão sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) se transformou, na madrugada deste domingo (17), na sessão mais longa da Câmara dos Deputados em 25 anos. Com quase 43 horas horas de duração, a sessão, que começou às 8h55 da última sexta-feira (15), superou a da votação da MP (Medida Provisória) dos Portos, em 2013, que durou 22 horas.

A lista com as sessões mais longas da Câmara foi feita com dados da Secretaria-Geral da Mesa Diretora e reuniu dados entre 1991 e 2016. A Câmara não informou dados sobre anos anteriores a 1991.

A longa duração da discussão sobre o impeachment da presidente Dilma se deve ao rito do processo. De acordo com o Regimento Interno, cada um dos 25 partidos com representação na Câmara tem direito a uma hora de discursos para a manifestação de seus posicionamentos sobre o eventual afastamento da presidente. Além desse tempo, líderes partidários, o jurista Miguel Reale Jr. (um dos autores do pedido de impeachment) e o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, também puderam se manifestar, o que alongou o evento ainda mais.

Pelo regimento, as sessões ordinárias têm duração de no máximo cinco horas. Caso o assunto debatido na ocasião não tenha sido esgotado dentro desse prazo, a presidência da Casa pode convocar sessões extraordinárias de forma consecutiva. O critério para estabelecer a duração das sessões mais longas é o número de sessões convocadas de forma consecutiva sobre um mesmo assunto ou sobre assuntos diferentes com intervalo inferior a uma hora entre uma sessão e outra.

Para “sobreviver” à longa duração da sessão, assessores parlamentares e funcionários da Casa foram orientados a levar roupas e colchonetes para dormirem dentro da Câmara.

De acordo com a relação feita pela Câmara, as sessões mais longas desde 1991 foram:
Comissão do Impeachment – entre 15 e 16 de abril de 2016 – 42 horas e 47 minutos
Votação da MP dos Portos – entre 15 e 16 de maio de 2013 – 22 horas e 27 minutos
Eleição da Mesa Diretora de 2005 – entre 14 e 15 de fevereiro de 2005 – 17 horas e 15 minutos
PEC da aposentadoria do trabalhador rural – entre 9 e 10 de outubro de 2007 – 17 horas e 12 minutos
Discussão sobre a CPI do Mensalão – entre 29 e 30 de 2005 – 16 horas e 57 minutos
Discussão sobre a MP dos Portos – entre 14 a 15 de maio de 2013 – 16 horas e 50 minutos
PEC da prorrogação da CPMF – entre – 26 e 27 de setembro de 2007 – 16 horas e 28 minutos
PEC 61/2011 (DRU-Desvinculação das Receitas da União) – entre 8 e 9 de novembro de 2011 16 horas e 28 minutos
PL 4559/2004 (Lei Maria da Penha), PL 5855/2005 (Minireforma Eleitoral) – entre 22 e 23 de março de 2006 – 15 horas e 15 minutos
PEC 434/2014 (aposentadoria) – entre 16 e 17 de 2014 – 14 horas e 56 minutos

Ivan Richard – Repórter da Agência Brasil e Leandro Prazeres Do UOL, em Brasília


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